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Planeta Terra !

O primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, informou nesta sexta-feira (16) que os três reatores acidentados da usina nuclear de Fukushima, quando o país foi atingido por um terremoto causado por um tsunami, estão dentro das condições de “parada fria”. Essa constatação faz com que a segunda fase da contenção da crise seja encerrada, pois o acidente do começo do ano fez com que resultasse em uma crise atômica.
A confirmação que a segunda fase do plano foi concluída comprova que todas as medidas anunciadas pelo governo para lidar com a crise foram tomadas. Ao mesmo tempo em que Noda declarou que “isso não significa que o problema nuclear tenha terminado”, os riscos de novos acidentes foram rebaixados e também diminui a possibilidade de novo acidente. O fato de ter sido anunciada a condição de “parada fria” significa que a temperatura no fundo dos vasos de pressão e nos vasos de contenção é estável e abaixo dos 100 graus centígrados.
Na última quarta-feira, autoridades anunciaram que o Japão tem a nova meta de desativar todos os reatores dentro de 40 anos, o que significa que o país vai ter que lidar com uma nova tarefa a longo prazo. O acidente de 2011 é considerado o pior dos últimos 25 anos.
O governo também reconheceu nesta sexta-feira que ainda precisa lidar com a situação de mais de 80 mil famílias que estão desabrigadas. O Executivo planeja pagar todas as indenizações e despesas aos que foram prejudicados e começar as operações de descontaminação na região da usina.
Durban 
A 11 de março, um terramoto de 8,9 graus e o consequente tsunami, com ondas de 10,2 metros de altura, provocaram um acidente na central japonesa, originando a maior crise atómica no país desde as bombas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945.
A fusão dos núcleos reatores provocou o aumento da radiação nas zonas limítrofes da central e cerca de 200 mil pessoas tiveram de abandonar as suas casas.
O acidente deu origem a manifestações contra esta forma de obtenção de energia, nomeadamente na Alemanha, e a chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou o fim da produção de energia atómica no país até 2020.
Nove meses depois, o debate sobre a viabilidade da energia nuclear, que não origina emissões de gases com efeito de estufa, está ausente da conferência da ONU sobre as alterações climáticas, que hoje termina em Durban, na África do Sul.
Não houve, até agora, qualquer delegação dos 190 países participantes a referir a energia nuclear, nem as organizações ecologistas emitiram comunicados sobre planos nucleares, segurança nas centrais ou gestão dos resíduos radioativos.
"Esta não é uma conferência sobre energia, mas sim sobre clima. Mas é uma parte da produção energética num bom número de países e é uma energia que não tem emissões. É bastante raro que não seja mencionada", disse a diretora executiva da Agência Internacional da Energia, María van der Hoeven.
"De uma perspetiva global, acredito que o desastre de Kukushima não terá grande impacto. Rússia, China ou Coreia do Sul não mudaram a sua política nuclear", comentou a responsável.
No entanto, "a Alemanha decidiu abandonar a energia nuclear a partir de 2022, e há um ambicioso plano de renováveis. Parece ser uma oportunidade para as renováveis a longo prazo, mas a curto prazo, implicará mais utilização de carvão, petróleo e gás", acrescentou María van der Hoeven.
O Japão, que participa na conferência da ONU, é um dos países exportadores de tecnologia nuclear, mas enfrenta uma forte oposição da população face a esta energia.
"Dos 54 reatores que temos, somente 10 funcionam atualmente", disse à EFE o embaixador japonês na África do Sul, Toshiro Ozawa, à margem de um encontro com jornalistas, a propósito da conferência.
Segundo o Observatório Mundial de Energia, 7,1 por cento da energia em 2020 será gerada por reatores nucleares.

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