Novas em Durban

O tempo parou em Durban!
Diferenças prorrogam reunião do clima por um dia. Longas horas de negociação praticamente sem interrupções desde a quinta-feira não conseguiram, até o momento, atingir o objetivo de aproximar os países que participam da reunião sobre mudança climática das Nações Unidas em Durban (COP-17), na África do Sul.

A expectativa é de que a reuniãq ue chegaria ao fim nesta sexta-feira, só termine no sábado à tarde (no horário local), depois de uma segunda noite em claro de negociações.

O tom otimista adotado por representantes do Brasil e da União Europeia, que há apenas algumas horas se diziam esperançosos por fechar um pacote que incluiria a continuação do Protocolo de Kyoto, que vence no ano que vem, e o caminho para um novo acordo global - parece não ter encontrado eco entre os colegas da China e da Índia, entre outros.

Segundo um observador, as primeiras versões dos rascunhos de uma possível declaração final - que previam para 2020 o início de um novo período de redução de emissões de CO2 - foram duramente criticadas.

Linguagem vaga


Entre os problemas vistos pelos ministros estariam, além do prazo pós-2020 - considerado distante demais pelos países-ilha, pela União Europeia e outros, a ausência de clareza sobre a situação legal do acordo e a proposta sobre a segunda etapa de Kyoto também teriam desagradado.

A linguagem vaga sobre o valor legal do documento, entretanto, pode ser a única forma de fazer com que os Estados Unidos o aprovem.

Sem respaldo doméstico para negociar um tratado climático e às vésperas de eleições presidenciais, qualquer compromisso legal mais firme possivelmente teria um fim semelhante ao do Protocolo de Kyoto, aprovado pelos Estados Unidos internacionalmente, mas nunca ratificado domesticamente.

Como a reunião de Durban já está na prorrogação desde as 18h de sexta-feira, a pressão do tempo dificulta ainda mais o aparo de arestas.

A UE, autora do projeto que vinha sendo considerado viável como saída para o encontro de Durban, estaria irritada com o prazo de 2020.

Isso, por sua vez, ameaça a continuação do Protocolo de Kyoto, uma vez que a Europa deve ficar praticamente só entre os países desenvolvidos no acordo: os Estados Unidos nunca participaram, e Canadá, Japão e Rússia não devem entrar na segunda fase.

O impasse aconteceu porque sem a participação da Europa, o acordo de Kyoto fica praticamente inviabilizado, fazendo com que o grupo BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) dificilmente se comprometa com qualquer meta obrigatória, por mais futura que seja.

Conversas informais


Manifestantes protestam em Durban. | Foto: AFP
Ambientalistas criticam a lentidão dos governos nas negociações em Durban

No entanto, novas versões dos rascunhos podem encontrar denominadores comuns que flexibilizem novamente as posições.

Entre as críticas feitas à presidência sul-africana da COP-17 está a demora em produzir as primeiras versões dos rascunhos, insistindo demais nas conversas informais.

O Brasil vem insistindo em adiar as negociações para depois de 2015, para que as metas negociadas para 2020 sejam baseadas nas recomendações do próximo relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que só deve sair entre 2013 e 2014.

Mas isso deixou o país em rota de colisão com a aliança entre os países mais ricos, da União Europeia, e os mais pobres do planeta, representados pelos grupos das pequenas nações insulares (Aosis, na sigla em inglês), pelo grupo dos Países Menos Desenvolvidos (LDC, na sigla em inglês), e por alguns países africanos, que querem negociar as metas para 2020 o mais rápido possível.

Por outro lado, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse também que o país estaria disposto a adotar "o mais cedo possível" alguma versão do plano da União Europeia para um tratado com força de lei e metas de redução de emissões.

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